diário-depoimento #1

Uma voz diz: “ei, olhe para o lado”. Casualmente, este também era o título de um filme australiano em cartaz. O filme, a voz e eu formamos estranhas conexões. “Olhe para o lado”.

Papéis acumulam-se sobre a mesa: restam interpretações, coisas ditas, uma lista incompleta, lugares, cenários, referências, xícaras mal lavadas, uma caneta que jamais uso, telefones anotados, livros abertos que agoniam, censura, auto-censura, janelas fechadas pela metade. Quanto mais procuro informações, mais aumenta a sensação de ignorar completamente uma parte da existência dela. Cada novo aspecto, impressão, atitude, olhar traduzido pelos outros dão conta que entre nós existe um vazio. Só somos reais na mão dos outros. Mas como se fui eu quem a inventou?

Deparo com variações às quais jamais seria capaz de criar. Olhe para o lado, acima, ao redor. Só o “outro” propicia a mágica.

Na solidão do meu ego-cotidiano ela não existe de forma tridimensional. Ela é 2-D num mar de letras.A complexidade da criação mergulha no mistério da criatura.

Anúncios
Comente ou deixe um trackback: URL do Trackback.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: