depoimento #36

De novo, nada. Quase nada. Uns discos espalhados pela casa, a mesma incerteza sobre o que se passa logo ali, na frente, no próximo passo, onde o que conta é muito mais tendões, músculos e ossos. Retratos de uma história repetida, fragmentos de uma percepção desajeitada. Sobre ela, muito tem se ouvido e pouco – raros objetos – parecem ter alguma informação realmente útil. Não, isso não é o suficiente para abandonar um projeto, mas, em parte, prende os calcanhares numa bola de metal. Se eu fumasse, essa era a hora de uma tragada. Se bebesse de verdade era capaz de sentar naquele bar da esquina onde bêbados, motoristas de táxi e porteiros de prédios jogam dominó apostando dinheiro. Mas não sou nada disso. Sou um burocrata das idéias, saudável e pronto para viver tediosamente minha maturidade.

Ela está perdida na faixa 3, lado B, num disco músico americano de jazz pouco conhecido, ainda que cultuado em alguma rodinhas de intelectuais. Dizem que só é possível encontrar esse disco com sorte e paciência. Quem me disse assegurou que ela está lá.

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