depoimento #38

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Entregaram de surpresa, num envolpe azul com um cheiro de perfume tão conhecido, por debaixo da porta do hotel. A letra de forma bem desenhada lembrava outros tempos. Seu dúvida, ela havia escrito pela primeira vez depois de imensa ausência. Uma carta com meu nome (ah, como deve ser difícil escrever o meu nome depois de tudo). Abri lentamente e estava escrito:

Entre as rodas do tempo – das velhas rodas do tempo – há algo que consome a beleza, que rompe a candura, fortalece os nós do desencanto. Mas e entre todas as coisas, entretanto, na natureza do amar, no ato fortuito da coisa em si – encontro dos oceanos, terras dos amantes – é que pousamos os sentidos mais dissonantes.

Os amantes do céu, terra, mar, o dia, das coisas acontecidas, da noite de sonhos desfilados, as colheitas de caminhos encantados. Amar é a reconciliação consigo mesmo e, no amor por abraçar um outro “eu”, que só vive pela fluidez de um outro ser, de um outro que nos fazer ver algo que, aprisionado, renasceu.

Poema. Violão dedilhado. Há tanto encanto por aí, tanta gente para se descobrir que não cabemos mais nesta dimensão tão reprimida e, lá pelas tantas, tudo que sobra é olhar a vida….

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