Um Morto

 

É estranho quando estamos com alguém, vivendo na mesma casa com esse alguém. Será mesmo que não percebem  a nossa infelicidade cotidiana ou será que a infelicidade se instala por dentro como uma doença silenciosa?  Os dias se passam, a doença se alastra. As mãos frias, os membros dormentes, o gosto de sangue na boca, a respiração ofegante.  Na infelicidade quem morre é o outro. Ela asfixia um e cega o outro, faz gritar um, ensurdece o outro, por isso a falência múltipla dos órgãos não é de quem tem os sintomas. Em seu estágio final, o infeliz lança um olhar de piedade, compaixão e pesar sobre o doente terminal,  os últimos dias…

Então chega o momento de decidir quem viverá:

— Quero me separar, estou infeliz…

Na prática a frase não é essa, algumas vezes, você simplesmente some.

Foi o que ela fez. E eu, claro, sou o morto.

 

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