Os Pés

Tinha pés feios, mas era uma mulher linda. Havia algo de “não” nela que não sabia bem como explicar. Talvez a maneira como juntava os lábios de criança embirrada. Talvez fossem seus pés, uma maneira de se negar ao mundo pela sua feiúra, ou talvez o contrário, essa própria feiúra seria a sua maneira de se mundanizar, de se conferir a si própria uma coerência com as calçadas imundas, com as salas tortas, com as sandálias falsificadas. Seus pés eram coerentes, ela não, ela era linda. Seus pés a negavam.

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